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Terra natal do ex-presidente Tancredo Neves, o município de São João del-Rei, no Estado de Minas Gerais, tem sua origem associada à exploração do ouro no período do Brasil colonial. Fundada em 1714, a cidade preserva parte importante da arquitetura e da arte daquele período, em suas igrejas monumentais e seu casario colorido.


É um roteiro obrigatório para turistas brasileiros e de outros países. Entre suas atrações se destacam as igrejas monumentais de São Francisco de Assis, Nossa Senhora do Rosário e Matriz de Nossa Senhora do Pilar. Também vale uma visita à Ponte da Cadeia e à Casa de Bárbara Heliodora, bem como ser feito um passeio de Maria Fumaça, locomotiva movida a vapor.


A população de São João del-Rei é de 86 mil habitantes, segundo dados oficiais de 2009 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Localiza-se na região do Campo das Vertentes, com a seguinte distância rodoviária de algumas capitais brasileiras: Belo Horizonte (185 km), Rio de Janeiro (259 km), São Paulo (414 km) e Brasília (791 km).


Igreja de São Francisco de Assis


Emoldurada por palmeiras imperiais e cercada de jardins, com torres circulares de sinos e ornamentos esculpidos em pedra-sabão, a igreja de São Francisco de Assis é um dos mais belos cenários oferecidos aos visitantes pelo circuito das cidades históricas de Minas Gerais.


Coube à irmandade denominada Ordem Terceira de São Francisco de Assis, em 1772, a iniciativa de construir uma nova igreja-sede, em substituição à capela original, então em ruínas. A obra ficou pronta em 1804.


No cemitério da Ordem Terceira, ao fundo da igreja, o ex-presidente Tancredo Neves foi sepultado em 1985. Ele era um dos integrantes da irmandade, fundada em 1749.


Associações formadas por leigos, as ordens e irmandades tiveram um papel decisivo na formação de Minas Gerais, pois no período colonial estava proibida a presença do clero regular pela Coroa portuguesa.


As ordens e irmandades desempenhavam diversas atividades religiosas e foram responsáveis pela construção de igrejas, como a de São Francisco. Tinham caráter assistencialista e de ajuda mútua entre os indivíduos que dela faziam parte, denominados de irmãos.


Maria Fumaça e Complexo Ferroviário


São João del-Rei possui a única locomotiva movida a vapor em atividade no mundo com bitola estreita de 760 mm (bitola é a distância entre os trilhos de uma linha ferroviária). Chamada de Maria Fumaça e destinada ao transporte turístico de passageiros, a máquina pertence ao complexo ferroviário da cidade, inaugurado em 1881 pelo imperador d. Pedro 2º.


A principal atração do complexo ferroviário, com área de 25 mil metros quadrados, é a linha turística entre São João del-Rei e a vizinha cidade de Tiradentes, um percurso de 12 km que passa por fazendas centenárias, rios e montanhas.


O complexo passou por um trabalho de restauração a partir de 2001, quando a Ferrovia Centro-Atlântica, ligada ao grupo de empresas da Companhia Vale do Rio Doce, assumiu a sua administração.


Casa de Bárbara Heliodora


Este sobrado colonial de São João del-Rei (MG) do final do século 18, tem valor histórico por ter pertencido a Alvarenga Peixoto – poeta e participante da Inconfidência Mineira – e sua mulher Bárbara Heliodora, ambos nascidos na cidade. O prédio fica na praça Frei Orlando, quase em frente à igreja de São Francisco de Assis, e abriga atualmente o Museu de São João del-Rei.


À sua mulher, de beleza legendária, Alvarenga Peixoto dedicou alguns dos versos mais conhecidos da poesia brasileira, presença obrigatória nas antologias: “Bárbara bela/ do Norte estrela/ que o meu destino/ sabes guiar/ de ti ausente/ triste, somente/ as horas passo/ a suspirar”.


Ponte da Cadeia


Um dos mais conhecidos marcos da cidade, a ponte da Cadeia impõe-se na paisagem urbana com seus arcos e muradas de pedra. A construção foi iniciada em 1797, depois que a antiga obra, feita de madeira, ruiu durante a passagem de uma procissão. Fez-se então a nova ponte em pedra, sendo a primeira obra do gênero a utilizar esse material na cidade. Erguida sobre o córrego do Lenheiro, foi inaugurada em 1849.


A iniciativa coube ao Senado da Câmara, órgão que reunia funções legislativas e de administração pública no período colonial. Outro motivo para a construção foi o fato de se ligar à rua da Intendência, a de maior comércio e de maior utilidade ao público naquele tempo. De acordo com as instruções da época, exigia-se a edificação "em pedra e cal (...) com três arcos de 32 palmos cada um".


O seu nome se originou após a transferência da cadeia da cidade para o subsolo da Casa da Câmara, hoje prefeitura. Embora uma lei do município de 1926 lhe tenha mudado o nome para ponte Municipal, a obra ainda é conhecida como ponte da Cadeia. É formada por três arcos e possuiu uma cruz em pedra na parte central.


Igreja Nossa Senhora do Pilar


A construção da igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar foi iniciada em 1721, com a finalidade de substituir a capela do Pilar, erguida logo no início do povoamento, quando levas de mineradores e comerciantes acorreram à região com a descoberta do ouro. A capela havia sido incendiada durante a Guerra dos Emboabas, conflito armado que opôs mineradores procedentes de São Paulo aos de outras capitanias brasileiras, em disputa pelo direito de explorar a riqueza do minério.


A capela-mor da igreja se destaca pela bela decoração dourada esculpida em madeira. Nas paredes laterais, sobressaem duas grandes telas, vindas de Portugal em 1732, representando as cenas Mesa do Senhor e O Senhor na Casa do Fariseu. Apresentam rica moldura dourada e são ladeadas por pilastras esculpidas, de onde saem figuras aladas de anjos. O altar-mor traz colunas torsas (que representam o tronco humano) e ornamentação exuberante, com figuras de anjos e as imagens do Pai Eterno, a Pomba do Divino Espírito Santo e o Crucificado no alto, formando a Santíssima Trindade. Sobre o trono do altar, encontra-se a antiga imagem da padroeira. Destacam-se também os púlpitos, colocados entre os altares laterais.


A nave exibe talha pintada de dourado. São seis altares com decoração em forma de planta e conchas e figuras de anjos. No forro da nave, uma pintura mostra a Virgem com o Menino, ambos coroados, envoltos por nuvens e querubins. Sobre o muro-parapeito estão as figuras dos Doutores da Igreja.


O edifício é todo construído em alvenaria de pedra. À frente do templo, por uma escadaria, chega-se a um pequeno pátio pavimentado por pedras e fechado por grades de ferro, com pilastras e portão. A fachada apresenta cinco portas de entrada, sendo a central mais larga e mais alta, e cinco janelas com balcões. Duas torres quadradas abrigam os sinos. A da esquerda tem um relógio ali colocado em 1905. Em ambas, sobressaem cúpulas em forma de pirâmide. Uma composição triangular (frontão) e uma cruz fecham a parte superior da fachada.


A iniciativa de construção da igreja coube a uma associação religiosa, a Irmandade do Santíssimo Sacramento. O templo ficava no local denominado Morro da Forca, um pouco afastado do centro da vila, já batizada de São João del Rei. Em princípios do século 19, a irmandade decidiu ampliar o corpo da matriz, tendo em vista o atendimento a uma população mais numerosa de fiéis. O risco da nova fachada (frontispício) foi então idealizado pelo arquiteto Manoel Victor de Jesus, em 1817, em substituição ao anterior, de autoria de Francisco Lima Cerqueira. A pintura do forro da capela-mor teve restauração em 1957 e 1958.


Igreja de Nossa Senhora do Rosário


Com obras iniciadas em 1708, a igreja de Nossa Senhora do Rosário é uma das construções mais antigas de São João del Rei e iniciativa da associação denominada Irmandade do Rosário. Naquela época, o povoado ainda não havia sido elevado à condição de vila e atraía um número cada vez mais crescente de mineradores e comerciantes, interessados em explorar a riqueza do ouro, descoberto poucos anos antes na região. A conclusão do templo se deu em 1719, tendo recebido acréscimos e remodelações em 1753, quando ganhou a dimensão atual.


Na primeira construção, a torre dos sinos era separada da igreja. Depois, segundo historiadores, foi edificada uma torre no centro da fachada, depois demolida em meados do século 19, quando ameaçar ruir. As duas torres atuais da igreja foram erguidas nos anos 1930 e 1940.


Na fachada, a porta principal tem enquadramento de pedra e decorações simples, sendo ladeada por duas janelas com parapeito em ferro trabalhado e ornamentos florais. Uma abertura envidraçada, redonda, domina a parte superior da fachada, que termina com uma cruz de pedra. As torres laterais são quadrangulares, com sino do lado esquerdo e janelas alinhadas com asda parte central.


No interior do templo destacam-se as imagens de são Benedito, santo Antônio de Cantagerona, são João Evangelista, são Lourenço, são Libório e santo Tomás de Aquino, nos altares da nave principal. O forro da nave tem forma de abóbada. Há dois altares pintados de branco e talha em madeira. A sacristia é dividida em quatro cômodos, um deles utilizado para a subida ao púlpito e coro. Há uma capela com imagens de Nossa Senhora do Triunfo e de santo Antônio, este em tamanho natural.


A igreja domina a praça Embaixador Gastão da Cunha, logradouro que forma seu pátio externo. Ao lado, estão os solares Tancredo Neves e Lustosa. A maioria das casas do entorno é térrea e apresenta as características da arquitetura residencial colonial, com fachadas de uma porta e duas janelas.


Para saber mais:


Igreja de São Francisco de Assis


Igreja Nossa Senhora do Rosário

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar

Casa de Bárbara Heliodora

Maria Fumaça e Complexo Ferroviário

Ponte da Cadeia