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Casos

Sofrimento

Na campanha para governador, em 1960, Tancredo enfrentava uma estrada esburacada, a bordo de um velho jipe dirigido por um motorista estouvado.


— Doutor Tancredo, como nóis sofre!


— Nóis sofre sim, mas ganhando a eleição nóis vai mandá.


Fonte: “Política, Arte de Minas”, de Carmo Chagas. Editado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais. Belo Horizonte, 1993

Sussurros

Novamente candidato a governador, em 1982, Tancredo chegou afônico para um comício na divisa com o Espírito Santo.


— Fala mais alto! Fala mais alto!, gritaram ao pé do palanque.


— Melhor não, sussurrou Tancredo. Não quero que os capixabas escutem.


Fonte: “Tancredo Vivo – Casos e Acaso”, de Ronaldo Costa Couto. Editora Record. Rio de Janeiro, 1995

Trote invertido

Com muita frequência, o próprio doutor Tancredo recebia ou fazia pessoalmente seus telefonemas. Surpreendia seus auxiliares e colocava em pânico as secretárias. Num domingo, uma repórter muito esperta, com quem ele não podia falar, ligou para o Palácio das Mangabeiras e ouviu algo bem característico dele, marca registrada:


— Aaaalôô!


— Alô! Oh, governador, já é o senhor? Desculpe-me! Aqui é a ...


Ele reconheceu a voz e a interrompeu:


— Desculpe, dona, mas aqui é o porteiro. O governador saiu.


— Mas a sua voz é igualzinha à do doutor Tancredo! Tem certeza de que não é mesmo o governador?


— Infelizmente, tenho, minha filha. Mas quem sabe um dia chego lá?


Fonte: “Tancredo Vivo – Casos e Acaso”, de Ronaldo Costa Couto. Editora Record. Rio de Janeiro, 1995

Central de boatos

Tancredo conversava animadamente com um jornalista amigo sobre a atividade do Congresso. De repente a pergunta:


— O senhor não acha aquilo meio enfadonho, repetitivo, cansativo? Aquela discurseira, aquela lengalenga...


— Que nada! Aquilo é um centro de criatividade. Quer ver? De vez em quando, eu invento um boato e solto lá na entrada, quando chego. Daí, passo rapidamente no meu gabinete e depois vou ao plenário. Sabe o que acontece?


— ???


— Encontro o meu boato muito melhorado e, às vezes, já com um ou dois filhotes. Boatinhos novinhos em folha...


Fonte: “Folclore Político”, de Sebastião Nery. Geração Editorial. São Paulo, 2002

Saci-pererê

Tancredo chegou a uma cidade do interior, o velho coronel do PSD o chamou a um canto:


— Quem é mesmo o candidato dos amigos do Juscelino? O Israelzinho esteve aqui e disse que é ele. Achei esquisito.


— Esquisito, por quê?


— Esse menino parece saci-pererê. Quer fazer a vida como fantasma, nos cavalos dos outros. No do pai, porque é filho. No do Figueiredo, porque é da Arena. E agora no do Juscelino, porque Juscelino é Minas. Mas ele vai cair.


— Cair de quê?


— Dos cavalos. Doutor Tancredo, o senhor já viu saci-pererê com 100 quilos?


Fonte: “Folclore Político”, de Sebastião Nery. Geração Editorial. São Paulo, 2002

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