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Tancredo de Almeida Neves – Cronologia biográfica

Informação para a imprensa – Fundação Presidente Tancredo Neves – Fevereiro/2010

1910 – Nasce em São João del-Rei, quinto de doze filhos de Antonina de Almeida Neves (Sinhá) e Francisco de Paula Neves.

1917 – Matricula-se no Grupo Escolar João dos Santos, que freqüenta até 1920 (São João del-Rei).

1921 – Faz o curso de humanidades no Colégio Santo Antônio, de frades franciscanos (São João del-Rei).



1927 – Diploma-se no Colégio.

1932 – Forma-se em advocacia pela Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais (Belo Horizonte).

1933 – Aos 23 anos, inicia-se formalmente na atividade política, filiando-se ao Partido Progressista, fundado no mês de janeiro, em Belo Horizonte, por Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, Olegário Maciel e Wenceslau Brás.

1934 – Elege-se vereador à Câmara Municipal de São João del-Rei pelo Partido Progressista.

1937 – Presidente da Câmara Municipal.
- Filia-se ao Partido Nacionalista Mineiro.
- Em novembro, com o golpe de Estado liderado por Getúlio Vargas, que implantou o Estado Novo, perde o mandato de vereador.
- Faz oposição à ditadura e por duas vezes é preso.
- Dedica-se à advocacia (até 1946).

1938 – Casamento com Risoleta Guimarães Tolentino.

1939 – Começa a Segunda Guerra Mundial.

1945 – Recusa convite do interventor Benedito Valadares para chefe de polícia do Estado.
- Fim da Segunda Guerra Mundial.
- Golpe militar derruba o Estado Novo em 29 de outubro (deposição de Getúlio Vargas).
- Apoia a candidatura presidencial do marechal Eurico Gaspar Dutra (PSD), que vence o udenista Eduardo Gomes, brigadeiro, nas eleições de 2 de dezembro.
- Filia-se ao Partido Social Democrático (PSD).

1946 – Entra em vigor a nova Constituição (18 de dezembro)

1947 – Eleito deputado estadual à Assembléia Constituinte de Minas (19 de janeiro).
- Relator geral da Constituinte mineira.

1948 – Líder da oposição ao governo udenista de Milton Campos (até 1950). Articula o ´´Rolo Compressor do PSD``.

1950 – Eleição do presidente Getúlio Vargas.
- Elege-se deputado federal. Instala-se no Rio de Janeiro.

1951 - Sua atividade política obtém ressonância nacional.
- Membro da Comissão de Transportes, Comunicações e Obras Públicas da Câmara Federal.
- Aproxima-se de Vargas, com quem tem relações de família – o marido de sua irmã Mariana é primo do presidente, pelo lado materno (Dornelles) -, devido à vitoriosa defesa de um veto na Câmara.
- O presidente Vargas visita São João del-Rei.

1953 – Líder da bancada mineira do PSD na Câmara.
- Nomeado ministro da Justiça de Getúlio Vargas (junho), em substituição ao político e diplomata mineiro Francisco Negrão de Lima.
- Governo Vargas enfrenta renhida oposição, especialmente de membros da UDN, articulados com lideranças militares.

1954 – Agrava-se a crise político-militar desencadeada no ano anterior.
- Tentativa de assassinato do jornalista e político Carlos Lacerda, o mais aguerrido e contundente adversário de Vargas. Morre o major Vaz, da Aeronáutica, que acompanhava o líder udenista. O chefe da segurança pessoal de Vargas, Gregório Fortunato, acusado de mandante do crime, é preso.
- Militares sublevados e opositores criam, afrontando a lei, a “República do Galeão”. A crise cresce e se aprofunda. - Na reunião ministerial de urgência convocada por Vargas para analisar a crise político-militar, propõe, juntamente com Alzira Vargas e o ministro da Fazenda, Oswaldo Aranha, a resistência a qualquer ataque à sede do governo (23 de agosto). Mas Vargas admite licenciar-se.
- Ganha de Vargas a caneta com que ele escreveu a histórica carta-testamento.
- Testemunha praticamente visual do tiro no peito com que Vargas se suicidou (24 de agosto).
- Acompanha o corpo até o sepultamento em São Borja (RS), onde faz candente discurso contra o “golpismo” e o novo governo, chefiado por Café Filho.
- Não retorna ao Ministério da Justiça, deixando-o aos cuidados de um oficial-de-gabinete.
- Reassume sua cadeira na Câmara Federal.

1955 – Eleição do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira (outubro).
- Nomeado diretor do Banco de Crédito Real de Minas Gerais.

1956 – Ocupa o cargo de diretor da Carteira de Redescontos do Banco do Brasil (26 de abril).
- Presidente interino do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico – BNDE (julho).
- Diploma-se pela Escola Superior de Guerra.

1958 – Nomeado (17 de julho) secretário de Finanças de Minas Gerais (governo Bias Fortes).

1960 – Eleição do presidente Jânio da Silva Quadros.
- Derrota José Ribeiro Pena na convenção do PSD e torna-se candidato a governador de Minas Gerais, com o apoio do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e do Partido Republicano (PR).
- Ribeiro Pena, com o apoio do deputado federal José Maria Alkmin, liderando dissidência pessedista, registra a chapa Pena-Alkmin na legenda do Partido Democrata Cristão (PDC), apoiado pelos partidos Social Progressista (PSP) e Social Trabalhista (PST), quebrando a unidade.
- Perde a eleição para José de Magalhães Pinto, candidato da UDN.
- Diretor da BNDE (dezembro).

1961 – Deixa a diretoria do BNDE (abril).
- Renúncia do presidente Jânio Quadros (25 de agosto). Crise de governo. Os ministros militares não aceitam a posse do vice-presidente João Goulart. Tancredo coordena a solução do impasse. Encontra-se com Goulart no Uruguai. Negocia a adoção do parlamentarismo republicano híbrido. Emenda aprovada em 2 de setembro. Goulart assume em 7 de setembro.
- Indicado primeiro-ministro em 8 de setembro, teve o nome aprovado no Congresso por 259 votos contra 22.
- Assume a presidência do Conselho de ministros e a chefia do governo (primeiro-ministro).

1962 – Deixa o cargo de primeiro-ministro (junho) para candidatar-se à Câmara Federal.
- Elege-se deputado federal.

1963 – Líder do governo e da maioria (PSD/PTB) na Câmara.

1964 – Deposição do governo João Goulart.
- Leva o presidente deposto até o avião em que ele viaja para o exílio.
- Instala-se o regime militar.
- Eleição do presidente Humberto de Alencar Castelo Branco pelo Congresso. Recusa-se a apoiá-lo e vota em branco, apesar dos apelos de Kubitschek.
- Entra em longo período de relativo ostracismo político.
- Como representante da oposição, praticamente não tem espaço no regime militar, que controlava a própria liberdade de expressão. Essa situação, com ligeiras flutuações, permanece até os primeiros tempos do governo Ernesto Geisel (1974/1979).

1965 – Apóia a candidatura oposicionista de Israel Pinheiro ao governo de Minas.
- Editado o Ato Institucional n° 2 (27 de outubro): fim do pluripartidarismo.

1966 – Participa da fundação do Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
- Elege-se deputado federal.
- Eleição do presidente Arthur da Costa e Silva.

1968 – Editado a Ato Institucional n° 5 (13 de dezembro): endurecimento do regime militar.

1969 – Eleição do general Emílio Garrastazu Médici.

1970 – Elege-se deputado federal.

1971 – Presidente da Comissão de Economia da Câmara dos Deputados.

1974 – Eleição do general Ernesto Geisel.
- Inicia-se o lento processo de distensão e abertura política que culminaria na eleição de Tancredo em 1985.
- Elege-se deputado federal.

1976 – Geisel afasta do comando do 2° Exército o general da linha dura Ednardo d´Ávila Melo (janeiro).

1977 – Governo fecha o Congresso por duas semanas e decreta o ´´pacote de abril``, que muda as regras eleitorais.

1978 – Eleição do presidente João Baptista de Oliveira Figueiredo.
- Eleito líder da bancada do MDB na Câmara Federal.
- Pronuncia discurso em Minas pela anistia ampla, geral e irrestrita.
- Eleito senador da República por Minas Gerais.

1979 – Fim do AI-5 (1° de janeiro).
- Assume a cadeira de senador (fevereiro).
- Articula a criação do Partido Popular (PP), centrista, que reúne dissidentes do MDB e da Arena, partido da situação, inclusive o histórico rival José de Magalhães Pinto.
- Eleito presidente do PP (7 de junho).
- Aprovada a lei da anistia (28 de agosto).
- Emenda constitucional restabelece as eleições diretas para governador (13 de novembro).
- Aprovada a lei orgânica dos partidos, que extingue a Arena e o MDB e restabelece o pluripartidarismo (22 de novembro).

1980 – Assume a presidência do PP.

1981 – Explosão de bomba no Riocentro, Rio de Janeiro, abala o governo (30 de abril).
- O ministro Golbery do Couto e Silva deixa o governo, inconformado com a condução do inquérito sobre o incidente do Riocentro. Assume o ministro João Leitão de Abreu (agosto).
- Projeto do governo proíbe coligações partidárias e institui o voto vinculado, que inviabiliza eleitoralmente o PP (novembro).

1982 – Promove a fusão do PP com o PMDB.
- Eleito vice-presidente nacional do PMDB (14 de fevereiro).
- Eleito governador de Minas Gerais (novembro).

1983 – Posse no cargo de governador de Minas (março).

1984 – Participa ativamente da campanha nacional pelo retorno imediato das eleições diretas para presidente da República, as ´´Diretas Já``, prevista na emenda Dante de Oliveira (janeiro a abril).
- Movimento pelas Diretas-Já cresce e empolga o país. Na última manifestação, reúne mais de um milhão de pessoas em São Paulo (16/4/84), recorde da história brasileira.
- Prega a conciliação nacional.
- Congresso rejeita a emenda constitucional das eleições diretas. Faltaram 22 votos (25 de abril).
- Tem o nome lançado para a eleição indireta à presidência da República (maio).
- José Sarney renuncia à presidência do PDS (junho).
- Lançado candidato à presidência da República pelos governadores de oposição, que se reuniram em São Paulo.
- O vice-presidente Aureliano Chaves e os senadores Marco Maciel e José Sarney deixam o PDS e desistem de candidatar-se a presidente da República. Sarney filia-se ao PMDB.
- Dissidentes do PDS criam a Frente Liberal, que celebra com o PMDB acordo para criação da Aliança Democrática.
- Em agosto, convenção do PMDB aprova a chapa Tancredo-Sarney, com 656 e 543 votos, respectivamente. O partido celebra aliança com a ala dissidente do partido da situação, o PDS, que formara a Frente Liberal. Da união, surge a Aliança Democrática. A candidatura recebe também o apoio do PTB e do PDT.
- Convenção do PDS escolhe o adversário de Tancredo: Paulo Salim Maluf, que derrota o ministro Mário David Andreazza (11 de agosto).
- Desincompatibiliza-se do cargo de governador de Minas e oficializa a candidatura ao Planalto (14 de agosto).
- Entrega-se à campanha. Em discurso proferido em Vitória, menciona o próximo advento da Nova República.

1985 – Elege-se presidente da República no Colégio Eleitoral (15 de janeiro).
- Faz o discurso da vitória, reafirmando as linhas mestras de seu governo.
- Compõe a equipe de governo, num complexo e exaustivo exercício de engenharia política.
- Concede entrevista coletiva a mais de quatrocentos jornalistas brasileiros e estrangeiros.
- Visita sete países em dezesseis dias. Retorna ao Brasil a uma semana da posse.
- Sente dores abdominais.
- Exames de sangue mostram infecção. Exames radiológicos confirmam alteração orgânica.
- Apesar de consciente de risco de vida, recusa-se a ser operado antes da posse em 15 de março, preocupado com impasse institucional e inviabilização da Nova República. Temia ação de forças não-democráticas e também que o general Figueiredo, desafeto do vice-presidente José Sarney, obstasse a posse deste.
- Anuncia o ministério (12 de março).
- Circulam boatos sobre seu estado de saúde.
- Sente dores ao assistir à missa no Santuário Dom Bosco, em Brasília, no final da tarde (14 de março).
- Sente febre e mal-estar durante refeição na granja do Riacho Fundo com a família.
- Solicita à assessoria os atos de nomeação do ministério, assina-os e manda publicar.
- Internado no Hospital de Brasília (noite de 14 de março).
- Sofre cirurgia para extração de tumor benigno (leiomioma), a menos de dez horas da posse (1h10min às 3h da madrugada de 15 de março).
- Empossado o vice-presidente José Sarney (15 de março, dez horas).
- Em 20 de março, sofre nova operação em Brasília. No dia 26, é transferido para o Instituto do Coração, em São Paulo, onde ocorrem mais cinco cirurgias, e morre na noite de 21 de abril, vítima de infecção generalizada.
- Luto em todo o Brasil. O povo vai às ruas chorar e homenagear o presidente morto. Na despedida em São Paulo, acontece a maior manifestação de solidariedade humana de toda a sua história.
- Cenas de igual intensidade emocional e política repetem-se, nos dias seguintes, em Brasília, Belo Horizonte e São João del-Rei, seu destino final. Todo o país padece junto no adeus ao estadista. A tragédia tem ampla repercussão internacional
- Sepultamento no Cemitério da Ordem Terceira de São Francisco, em São João del-Rei, Minas Gerais, no dia 24 de abril. - Deixa esposa, Risoleta, três filhos: Inês Maria, Tancredo Augusto e Maria do Carmo.


Fonte: COUTO, Ronaldo Costa – Tancredo Vivo – Casos e Acaso – Editora Record