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Sem gás

Câmara Federal, seis da tarde, maio de 1977, em plena fossa política depois do “pacote” de abril. O horizonte infinito de Brasília descia cinza sobre a cidade, baixando a pressão dos edifícios e das pessoas. Tancredo Neves e jornalistas espiavam, do outro lado, todo em luzes, o Palácio do Planalto. Miriam Macedo, de O Globo, parte o silêncio:


— Deputado, o senhor hoje está apagado, sem gás.


— Sem gás e sem Geisel, minha filha.


Fonte: “Folclore Político”, de Sebastião Nery. Geração Editorial. São Paulo, 2002