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Tancredo Neves, Homem do Brasil

“Jornal do Brasil” – 05/04/2010


MAURO SANTAYANA


Tancredo Neves faria 100 anos hoje. Ao relembrar aqueles meses, dias e horas, dois sentimentos me abalam o espírito: a brevidade da vida e a escassez de homens de Estado. Atribui-se ao chanceler Oswaldo Aranha a constatação de que o Brasil "é um deserto de homens e de ideias". Foi uma injustiça do bravo gaúcho - companheiro de Tancredo no segundo governo Vargas – para com muitos de seus contemporâneos, e a ele mesmo, invulgar servidor do Estado.


Mas há situações históricas em que os grandes homens não deixam muitos seguidores. Naqueles anos finais do regime de exceção, a personalidade de Tancredo começou a destacar-se no horizonte. Ele não estava só: a oposição republicana contava com alguns veteranos combatentes, entre eles Franco Montoro, Ulysses Guimarães, Miguel Arraes, Barbosa Lima Sobrinho, Leonel Brizola.


Embora os houvesse, os olhos mais atentos se dirigiam ao mineiro, porque às convicções democráticas e virtudes pessoais se reuniam as circunstâncias. Ele vivera o passado não como testemunha, e sim como militante político. Mesmo durante a noite de chumbo do regime militar, ele, como exigia a situação, manteve-se atuante na resistência, tanto mais efetiva, quanto mais discreta. Dominava, com paciência montanhesa, a angústia diante do regime de opressão, que censurava a imprensa, prendia, torturava e matava. Mas essa paciência, que ele parecia pastorear pelos corredores do Congresso, ocultava esforço incansável para a manutenção da esperança entre seus companheiros do Congresso e personalidades importantes da sociedade.


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