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Lembranças de Tancredo

"Jornal do Brasil" – 07/03/2010


MAURO SANTAYANA


Durante alguns anos, convivi com Tancredo, participando do projeto político que levou à transição democrática. Não éramos amigos, quando iniciamos essa associação. Desde o início, embora ele falasse no assunto, recusei uma relação de caráter profissional.


Queria ter a independência de expor minhas próprias ideias, e isso afastava a situação de chefe e subordinado. Só fui aceitar essa relação profissional depois que ele se elegeu governador de Minas e me encarregou de representar o seu governo em São Paulo, isso em 1983. Eu o conhecia, como o conheciam todos os mineiros de minha geração. Ainda adolescente lia, nos jornais mineiros, sobre sua atuação na Assembleia Legislativa.


Em 1952, quando comecei a trabalhar em jornal, passei a interessar-me pela política mais de perto e acompanhava o seu desempenho na Câmara dos Deputados. Dois anos depois, nos episódios que levaram ao suicídio de Vargas, impressionaram-me a sua lealdade ao presidente e sua coragem pessoal. Cobri o velório de Getulio no Catete e segui o cortejo fúnebre pela Praia do Flamengo até o Aeroporto Santos Dumont, naquela manhã do dia 25 de agosto.


Em 1960, quando foi candidato ao governo de Minas, o redator-chefe de meu jornal, um dos melhores jornalistas mineiros, Hermenegildo Chaves, grande amigo de Tancredo, pediu-me que o ajudasse a redigir pequeno discurso para o candidato. Tancredo iria agradecer, na convenção estadual do Partido Socialista Brasileiro, o apoio à sua candidatura. Chaves pediu-me ajuda porque era conservador e queria que um esquerdista lhe desse a mão. Tancredo nunca soube dessa minha ajuda indireta.


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