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tancredo_neves_ministroNo cargo de ministro da Justiça, Tancredo Neves ganhou projeção nacional pela atuação firme em um dos mais graves episódios da história brasileira: a crise que levou o presidente Getúlio Vargas ao suicídio, em agosto de 1954. O governo de Vargas enfrentava forte oposição no Congresso, na imprensa, nas Forças Armadas e entre os empresários. Em 5 de agosto, o jornalista Carlos Lacerda, um dos mais agressivos críticos de Vargas, foi baleado na rua Tonelero, no Rio de janeiro. O atentado causou a morte do major-aviador Rubens Vaz, segurança de Lacerda, e acelerou o confronto entre oposição e governo, acusado de ser o responsável pelo crime. De pronto, Tancredo anunciou a disposição do governo em esclarecer o atentado e ordenou a abertura de inquérito policial. Foi aceita por Vargas a proposta de Tancredo para dissolução da guarda presidencial, que tinha dois de seus integrantes envolvidos no caso.


No curso do agravamento da crise, em 22 de agosto, os brigadeiros se reuniram no Clube de Aeronáutica e exigiram a renúncia de Vargas. Ao tomar conhecimento, Tancredo propôs a prisão de todos os signatários, sugestão rejeitada pelos ministros militares.


A exigência de renúncia cresceu entre os militares. Na madrugada do dia 24, Vargas pediu a Tancredo que escrevesse uma nota comunicando que o presidente ficaria afastado do cargo até a conclusão das investigações sobre o atentado. Na ocasião, Vargas deu a Tancredo uma caneta Parker 51, de ouro. Pouco depois, o presidente se recolheu aos seus aposentos, onde atirou contra o peito.


Tancredo esteve entre os primeiros a entrar no quarto e encontrá-lo ainda com vida. “Foi o instante de maior emoção da minha vida pública”, definiu Tancredo, mais tarde. Ele acompanhou o corpo de Vargas até São Borja, no Rio Grande do Sul, e fez um discurso memorável na beira do túmulo.

 

Depoimentos de Tancredo Neves:
A amizade com Getúlio Vargas
A crise que levou Vargas ao suicídio