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Ditadura

 

tancredo_neves_ditaduraCom o golpe militar de 31 de março de 1964, o então deputado federal Tancredo Neves solidarizou-se com o presidente João Goulart, e esteve no aeroporto de Brasília para se despedir dele, quando embarcava com destino a Porto Alegre e, em seguida, para o exílio no Uruguai. No dia 1º de abril, o líder mineiro fez um protesto indignado quando, no Congresso, declarou-se vago o cargo de presidente da República, mesmo com Jango ainda em território nacional e no exercício constitucional das suas funções. Teve a mesma atitude em relação ao ex-presidente Juscelino Kubitschek, ao acompanhá-lo ao avião que o levou ao exílio, em 1964, e nos depoimentos que teve de prestar em Inquéritos Policiais-Militares (IPMs), quando de sua volta ao Brasil. O enterro de ambos, em 1976 – o de Jango, em São Borja, no Rio Grande do Sul; o de Juscelino, em Brasília, dois momentos que marcaram com emoção o combate à ditadura militar – teve a presença de Tancredo.


A eleição do marechal Castelo Branco para a Presidência da República, realizada pela via indireta, em 1964, não contou com o voto de Tancredo. Quando veio a implantação do bipartidarismo, ele filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), a legenda de oposição.


Naqueles anos, em meio às cassações, prisões, exílio e censura à imprensa, Tancredo se viu confinado ao ostracismo imposto pelo regime militar. No país, a situação se agravou ainda mais depois do Ato Institucional Nº 5, de 13 de dezembro de 1968, com o recesso do Congresso Nacional, a tortura e os assassinatos de opositores.


Por três vezes, nos anos de 1966, 1970 e 1974, Tancredo renovou seu mandato de deputado federal. Em 1973, participou do lançamento da "anticandidatura" de Ulysses Guimarães, do MDB, à Presidência da República, na sucessão do general Emílio Garrastazu Médici. Em 1978, Tancredo foi eleito líder da bancada do MDB na Câmara dos Deputados. No ano seguinte, passou a se dedicar ao seu novo cargo: o de senador por Minas Gerais, eleito também pelo MDB.