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A falta que um Tancredo faz

"Veja" – 31/10/2011


Augusto Nunes


Nas cenas finais de Tancredo, a Travessia, quem conhece razoavelmente o personagem acha que ficou faltando alguma coisa. Tal sensação poderia ser dissolvida, ou pelo menos abrandada, por uma tarja que, sublinhando as comoventes imagens de abertura, exibisse a advertência necessária: Tancredo Neves não cabe em 105 minutos. Essa é a duração do documentário que estreou nesta quinta-feira nas salas de cinema. Enquanto acompanha passo a passo a caminhada de um PhD em política que viveu como protagonista os episódios mais dramáticos ocorridos entre 1954 e 1985, o diretor Sílvio Tendler procura capturar-lhe a essência do pensamento e as características que forjaram o estilo incomparável. É muito assunto para pouco mais de uma hora e meia.

E é muita história para uma vida só. Ministro da Justiça em agosto de 1954, Tancredo primeiro usou o talento de conciliador para tentar conter a cólera dos inimigos de Getúlio Vargas. Na última reunião do ministério, mostrou a valentia que nunca lhe faltou ao defender a resistência armada aos militares sublevados. Consumada a tragédia, pronunciou um discurso feroz à beira da sepultura do grande suicida. Em 1961, depois da renúncia de Jânio Quadros, o candidato derrotado ao governo de Minas Gerais negociou o acordo entre o vice João Goulart e os generais conservadores que instituiu o parlamentarismo. Emergiu da crise como primeiro-ministro do novo regime.

Em 1964, líder do governo de Jango na Câmara, Tancredo fez o que pôde para evitar o golpe de Estado. Derrotado, ajudou a fundar o MDB oposicionista e seguiu demonstrando que a prudência e a coragem podem e devem andar de mãos dadas. Amigo de Juscelino Kubitschek, cassado em junho, acompanhou o ex-presidente nos humilhantes depoimentos em tribunais militares. Em 1976, voltou ao cemitério de São Borja para despedir-se de Jango, que não pôde ser sepultado com honras de chefe de Estado, com ataques frontais ao governo autoritário.

Em 1983, engajou-se sem ilusões na campanha pela volta das eleições presidenciais diretas, que qualificou de “lírica”  não por desconhecer a importânica da mobilização popular, mas por conhecer bem demais o Congresso. Convencido de que a sucessão do general João Figueireido não seria decidida nas urnas, tratou de tecer desde o começo de 1984 as complicadas alianças que, em janeiro do ano seguinte, garantiram  a vitória sobre o candidato governista  Paulo Maluf  no Colégio Eleitoral. Entre o início das operações de bastidores e o triunfo, Tancredo colocou em prática as lições que resumia numa metáfora fluvial: “Não se tira o sapato antes de chegar à margem do rio. Mas não se vai ao Rubicão para pescar”.

Esperou até a 25ª hora para formalizar a candidatura e deixar o governo de Minas. Chegara à margem do rio. E então partiu para a travessia do seu Rubicão — o rio que todo guerreiro tinha de cruzar para lançar-se à conquista de Roma. Conseguiu o apoio de todas as vertentes da oposição, com exceção do PT. (O detentor do monopólio da ética se negou a votar no candidato da nação e expulsou os três deputados que descumpriram a ordem. Lula achou que Tancredo não merecia confiança também por ter como vice um José Sarney. Hoje amigos de infância, Sarney e Lula são reduzidos a uma dupla de pigmeus oportunistas pela grandeza do presidente que poderia ter sido e não foi).

Na etapa seguinte, Tancredo atraiu dois terços do PDS e isolou Maluf. Como se disputasse uma eleição direta, liderou comícios monumentais em várias cidades brasileiras. Já era um campeão de popularidade quando pronunciou o belo discurso da vitória. Surpreendido pela cirurgia inadiável na véspera da posse em 15 de março, agonizou até 21 de abril, quando deixou a vida para entrar no imaginário popular como herói nacional.

Cada uma das tantas versões de Tancredo vale um livro, cada episódio que protagonizou vale um filme. Como foram todos agrupados num único documentário, é inevitável que certos trechos pareçam rasos demais, incompletos ou de difícil compreensão. A memória nacional sairia ganhando se, por exemplo, fossem incorporadas mais informações ao trecho reservado às restrições feitas por chefes militares ao candidato do MDB. Até render-se aos fatos, o presidente Figueiredo vivia recitando a expressão  “Tancredo never”. Preocupado com as reações da linha dura, o candidato montou em segredo um plano para reagir a um eventual golpe fardado. O excesso de cautela aconselhou Tancredo a ocultar as dores que prenuciaram o drama. Ele achava que os quartéis não admitiriam a posse do vice José Sarney.

Feitas as ressalvas, convém deixar claro que o que parece pouco aos olhos de cinquentões bem informados é mais que suficiente para permitir a quem tem menos de 30 uma pedagógica viagem, conduzida por Tancredo, pelo turbulento Brasil da segunda metade do século 20. No grande viveiro de desmemoriados vocacionais e amnésicos por conveniência, que a cada 15 anos esquecem o que aconteceu nos 15 anteriores, merece ser saudado com tambores e clarins um documentário que trata a verdade com gentileza e conta o caso como o caso foi.

É irrelevante saber se será anexado aos trunfos eleitorais do senador Aécio Neves. Se fosse neto de um avô assim, Tancredo Neves agiria da mesma forma. E pouco importa constatar que a câmera não esconde a admiração pelo personagem. Esse mineiro de São João del Rei que fez da conciliação política uma forma de arte, esteve sempre do lado certo e só depois de morto subiu a rampa do Palácio do Planalto é, decididamente, um estadista admirável.

Outros documentários completarão o painel esboçado pelo retrato pintado por Tendler ─ e concluído na hora certa. Milhões de brasileiros poderão constatar que, há apenas 25 anos, sobrava gente que debatia ideias, defendia programas e não estava à venda. Os corruptos não chegavam tão facilmente ao ministério. A Era da Mediocridade ainda era só um brilho no olhar guloso de Lula e seus devotos. As imagens mostram um José Sarney constrangido, deslocado, consciente da condição de intruso. Virou presidente graças aos micróbios do Hospital de Base de Brasília e à incompetência dos médicos, que se uniram para castigar o Brasil com a perversidade brilhantemente condensada na frase do jornalista Carlos Brickmann: “Sair de Tancredo para cair em Sarney é, definitivamente, encontrar um túnel no fim da luz”.

Link para ler no original: A falta que um Tancredo faz

A travessia

"O Globo" – 16/10/2011


Merval Pereira

 
O documentário “Tancredo, a travessia”, de Silvio Tendler, que será lançado oficialmente no final do mês, complementa a trilogia que teve início com “Jango” e “Anos JK” no relato da história recente do país, mas se supera na captura da alma conciliadora de Tancredo Neves e na revelação da sua matreirice política que estava sempre a serviço da democracia, como salienta o ex-presidente Fernando Henrique em seu depoimento.
 
Definitivamente, Tancredo não era um político banal e eu mesmo tive um exemplo marcante dessa sua argúcia, que me ensinou muito no trato das coisas políticas.
 
Dias depois do atentado do Riocentro, ocorrido em 1ode maio de 1981, eu, que escrevia a coluna da página 2 do GLOBO chamada “Política Hoje Amanhã” e passava a semana em Brasília, no dia 4, peguei o voo pela manhã, tendo como companhia o senador Tancredo Neves, que vinha de um encontro com o então governador do Rio, Chagas Freitas.
 
Fomos conversando sobre a gravidade dos acontecimentos até que, como quem não quer nada, Tancredo comentou: “Homem corajoso esse Chagas. O relatório oficial da polícia confirma que havia mais duas bombas no Puma”.
 
Dito isso, mudou o rumo da conversa com a autoridade de quem não queria se aprofundar no assunto.
 
A informação era simplesmente bombástica, sem trocadilho: se no Puma dirigido pelo capitão Wilson Machado havia outras bombas, ficava demonstrado que ele e o sargento Guilherme Pereira do Rosário eram os responsáveis pelo atentado, e não vítimas, como a versão oficial alegava.
 
Telefonei para a redação do GLOBO no Rio dando a notícia para o Milton Coelho da Graça, que era o editor-chefe da época, e ele, empolgado, disse me que fosse para o Congresso tentar tirar mais informações de Tancredo.
 
No seu gabinete no Senado, Tancredo estava cercado de pessoas, pois o ambiente político estava bastante conturbado.
 
Consegui puxá-lo para um canto e pedi mais informações “sobre as duas bombas encontradas no Puma”.
 
Tancredo me olhou sério, colocou sua mão em meu ombro e perguntou, como se nunca houvéssemos conversado sobre o assunto: “Você também ouviu falar disso, meu filho?”.
 
A notícia foi manchete do GLOBO do dia 5 de maio.
 
No documentário sobre sua vida e seu calvário de 38 dias, há diversos episódios que contam bem essa capacidade que Tancredo tinha de fazer política com gestos e poucas palavras. Mas certeiras.
 
Quando Jango faz seu longo retorno da China, depois da renúncia de Jânio à Presidência da República, enquanto no Brasil se negociava sua posse com a resistência de setores militares, Tancredo vai ao Uruguai, última escala do retorno, conversar com o vice-presidente.
 
O PTB, partido de Jango, exige que um seu representante vá participar da conversa. Só que, quando Wilson Fadul chega ao aeroporto, o avião de Tancredo já havia decolado.
 
Digno representante do PSD mineiro, Tancredo queria conversar a sós com Jango. E conseguiu convencê-lo a aceitar o parlamentarismo, cuja alternativa seriam “as mãos sujas de sangue”.
 
Anos mais tarde, quando já negociavam o apoio da Frente Liberal à sua candidatura à Presidência da República no Colégio Eleitoral, Tancredo foi confrontado com uma exigência do vice-presidente Aureliano Chaves, seu adversário político da UDN mineira.
 
Aureliano disse que só apoiaria Tancredo se ele lhe escrevesse uma carta aceitando vários pontos que colocava como inegociáveis.
 
Para espanto dos dissidentes do PDS que foram lhe levar as exigências, Tancredo aquiesceu logo em escrever a carta.
 
Mas também impôs sua condição: só a escreveria se recebesse primeiro a resposta de Aureliano dando seu apoio. E assim foi feito.
 
O próprio Tancredo diz a certa altura do documentário que “mineiro radical” não existe, e explica que no dicionário, Tancredo quer dizer “conciliador”, “parcimonioso”.
 
Mas nunca deixou de assumir atitudes firmes, quando precisava. Segundo ele, um político “não pode cometer temeridades, mas tem o dever de correr riscos”.
 
E ele correu: na reunião ministerial do Palácio do Catete, pouco antes do suicídio de Vargas, defendeu a resistência.
 
Discursou nos enterros tanto de Getúlio quanto de Jango; acompanhou Juscelino quando o ex-presidente, cassado, teve que depor em quartéis do Exército.
 
Criou o PP para marcar o caráter conciliador de sua política, mas retornou ao PMDB quando o governo militar ditou novas regras eleitorais que prejudicavam a oposição dividida.
 
Foi o único do PSD a não votar em Castello Branco para presidente, ele que o havia promovido a general a pedido de uma parente quando era primeiro-ministro, e por isso não foi cassado depois do golpe militar.
 
O documentário deixa bem claro, através principalmente de depoimentos de seu neto, o hoje senador Aécio Neves, a preocupação de Tancredo com a reação dos militares à posse de Sarney como presidente.
 
Por isso adiou até quando pode uma operação, para tentar chegar ao dia da posse que, para ele, seria “a garantia da transição”.
 
A tal ponto estava obcecado com isso que na véspera da posse, já não podendo mais se levantar, recebeu de seu futuro Chefe do Gabinete Civil vários atos para assinar, e os assinou na cama, afirmando: “Isso é a garantia de que não vai haver retrocessos”.
 
E estava certo, pois no dia seguinte, quando o ministro do Exército do governo Figueiredo, General Walter Pires, tentou impedir a posse de Sarney, foi comunicado por Leitão de Abreu de que ele já não era mais ministro.
 
O Diário Oficial daquele dia já saíra com todos os atos de nomeação do novo governo, que não foi comandado por Tancredo, mas por Sarney.
 
Aécio Neves diz que as últimas palavras que ouviu do avô e guia político foi: “Eu não merecia isso”

Tancredo há 25 anos, como se fosse hoje

“Folha de S.Paulo” – 21/04/2010


ELIO GASPARI

Há um quarto de século, morreu Tancredo Neves. Na noite de 14 de março de 1985, os brasileiros foram dormir esperando assistir as cenas de sua posse na manhã seguinte e acordaram com o último dos generais deixando o palácio pela porta dos fundos, enquanto José Sarney vestia a faixa presidencial. Tancredo só chegou a Brasília, morto.

 

Ele foi uma resultante. Somava marqueses da ditadura, cardeais da moderação democrata-cristã, comissários de uma esquerda mais ou menos convicta. Morto Tancredo, a coligação perdeu o nexo e, aos poucos, deslizou para o colapso financeiro da hiperinflação e o desastre político do collorato.

 

Passados 25 anos, persiste o mito de que Tancredo Neves era um conservador. Com aquele jeito, falando baixo, sempre de terno, só podia ser. Além disso, seu conservadorismo seria um bálsamo capaz de aliviar o passado de Sarney e o futuro de Fernando Henrique Cardoso. Um mito conveniente.

 

Felizmente, o jornalista Mauro Santayana organizou o livro "Tancredo: o verbo republicano", com os textos dos últimos discursos e entrevistas de Tancredo Neves. Santayana assessorou-o por quase vinte anos. Na tarde de 14 de março de 1985, passou cerca de duas horas com ele, revendo o discurso que faria na manhã seguinte, ao tomar posse. Semanas depois, quando se sabia que Tancredo não sairia vivo do hospital, Santayana entregou os originais a Risoleta Neves, mulher do presidente eleito.

 

A primeira metade do discurso de Tancredo contém uma das mais belas páginas da oratória política nacional. Elegante no estilo, profético no conteúdo. Em alguns momentos impressiona pela atualidade, mas, se isso indica a clarividência de Tancredo, ilustra também a mediocridade do debate nos 25 anos que seseguiram. Alguns trechos:

 

"Temos construído esta nação com êxitos e dificuldades, mas não há dúvida, para quem saiba examinar a história com isenção, de que o nosso progresso político deveu-se mais à força reivindicadora dos homens do povo do que à consciência das elites. (...) A pátria dos pobres está sempre no futuro e, por isso, em seu instinto, eles se colocam à frente da história".

 

"A legislação sindical brasileira se encontra envelhecida. (...) A unidade sindical não pode ser estabelecida por lei, mas surgir naturalmente da vontade dos filiados. (...) Os sindicatos não podem submeter-se à tutela do governo nem subordinar-se aos interesses dos partidos políticos".

 

"Já vivemos, nas grandes cidades brasileiras, permanente guerra civil (...). É natural que todos reclamem mais segurança nas ruas, e é dever do Estado garantir a vida e os bens dos cidadãos. Essa garantia, sabemos todos, não será oferecida com o aumento do número de polícias, ou com a multiplicação dos presídios. É muito mais fácil entregar ferramentas aos homens do que armá-los, e muito mais proveitoso para a sociedade dar pão e escola às crianças abandonadas, do que, mais tarde, segregar adultos criminosos. A história nos tem mostrado que, invariavelmente, o exacerbado egoísmo das classes dirigentes as tem conduzido ao suicídio total".

 

"Temos de ampliar o mercado interno, o único com que podem contar permanentemente os empresários brasileiros. Não se amplia o mercado interno sem que haja mais empregos e mais justa distribuição da renda nacional".

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Nas capas do JB, a saga de Tancredo

“Jornal do Brasil” – 21/04/2010


BERNARDO COSTA


Hoje, quando se lamenta os 25 anos de morte do principal artífice do processo de restauração democrática do Brasil, após o regime de exceção que vigorou por 21 anos – de 1964 a 1985 – o Museu da República e o Jornal do Brasil inauguram a exposição Tancredo Neves e a redemocratização brasileira, que procura analisar um dos períodos mais emblemáticos da nossa história política, compreendido entre a campanha pela anistia e a posse de José Sarney como presidente do Brasil, com a notícia da morte de Tancredo em 21 de abril de 1985. A mostra, que conta com 50 capas históricas do jornal a partir do acervo do CPDoc JB, que dão conta do processo de abertura política, desde a campanha pela anistia à morte de Tancredo e a comoção popular desencadeada pelo fato.


– Nossa ideia era homenagear não só o político que se tornou símbolo de um momento importante da política brasileira, assumindo uma postura conciliatória que permitiu a união de diferentes tendências políticas em prol da restauração da democracia, como também os 25 anos da Nova República, inaugurada em 1985 – diz a historiadora Vera Mangas, responsável pela curadoria da exposição.


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Tancredo Neves, a sabedoria

"Jornal do Brasil" – 21/04/2010


ROBERTO SATURNINO BRAGA


O Brasil comemora o centenário da figura maior de Tancredo Neves, pertencente ao Patrimônio Histórico e Político Nacional.
Primeiro ministro, governador, presidente eleito. Foi líder permanente no cotidiano e decisivo em momentos cruciais. Após a renúncia de Jânio, em 61, evitou o que poderia ter sido um conflito armado entre brasileiros, intermediando e negociando o acordo de João Goulart com os militares, pelo qual ambas as partes aceitavam a solução do parlamentarismo. Solução artificial, claro, eminentemente casuísta, mas que permitiu ao vicepresidente assumir a presidência sem confronto, como lhe era de direito, e, depois recuperar por inteiro o seu poder. Isso foi fortemente rejeitado por outros líderes da época. Eles reclamavam o puro, simples e direto respeito à regra constitucional vigente. A maioria desses críticos colimava o esmagamento definitivo da direita golpista, que havia derrubado Vargas e, posteriormente, derrubaria o próprio Jango.


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O adeus a Tancredo em São João del Rey

Blog Balaio do Kotscho – 21-04-2010


RICARDO KOTSCHO


Faz 25 anos hoje. No mesmo 21 de abril da morte de Tiradentes, o Brasil perdia em 1985 seu primeiro presidente civil eleito após o golpe militar, ainda pela via indireta. A morte de Tancredo de Almeida Neves antes da posse provocaria a maior comoção popular desde o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954.


Cobri a campanha e a eleição de Tancredo para a Folha de S. Paulo, quando ele derrotou Paulo Maluf no Colégio Eleitoral, e fui a Brasília na véspera da sua posse marcada para o dia 15 de março. Para recordar aos leitores o que aconteceu naqueles dias após a posse que não houve, recorro mais uma vez ao meu livro de memórias “Do Golpe ao Planalto _ Uma vida de repórter” (Companhia das letras, 2006).


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Centenário de Tancredo inspira mostra "hi-tech" que começa hoje no Rio

"Folha de S.Paulo" - 19/04/2010


AUDREY FURLANETO


"Ele tinha o hábito de andar com uma oração de são Francisco de Assis no bolso do paletó. Quando o papel ficava velhinho, ele escrevia de novo." Aos 75 anos, Tancredo Neves reescreveu a oração pela última vez, lembra Andrea Neves, neta do ex-presidente. Morreu em 1985 com aquele papel que, agora, é um dos elementos de uma exposição sobre o centenário de seu nascimento. A mostra, que abre hoje no Rio, terá mais objetos pessoais de Tancredo, como uma caneta que ganhou de Getúlio Vargas.


O evento deve ser encontro de políticos como Aécio Neves, neto de Tancredo, o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, Sérgio Cabral e José Serra. "A ideia é perceber a força daqueles anos e como a presença de Tancredo foi forte", diz Andrea.


Diferentemente das exposições históricas tradicionais, Tancredo vai ganhar versão "hi-tech" no Museu Histórico Nacional. Desde a escolha do curador - Marcello Dantas, 42, conhecido pelas mostras no Museu da Língua Portuguesa -, a intenção é aproximar Tancredo e a história recente do país de um público que "desconhece a dimensão" do personagem. O mesmo trabalho foi feito no Memorial Tancredo Neves, em São João del Rey, neste ano.


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O discurso de Tancredo que nunca aconteceu

O Globo Online - 18/04/2010


LUDMILLA DE LIMA


RIO - Depois da maratona política em Minas, José Serra e Aécio Neves se encontram novamente, à noite, nesta segunda-feira, no Rio. Os dois estarão na abertura da mostra "Centenário de Tancredo Neves", no Museu Histórico Nacional.


O evento marca, também, o lançamento de "Tancredo: O Verbo Republicano", com organização do jornalista Mauro Santayana. O livro traz, entre outros, um discurso sobre liberdade e justiça social que poderia ter entrado para a história como um marco da redemocratização. Mas, quis o destino que ele nunca fosse proferido. No dia 15 de março de 1985, na sua posse como presidente da República, Tancredo iria propor aos trabalhadores a renegociação de um pacto social em prol da reorganização da economia, assim como falaria sobre os perseguidos no regime militar. O texto, de Mauro Santayana, nunca foi lido: Tancredo foi internado na véspera da posse, morrendo em 21 de abril.


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Tancredo Neves, Homem do Brasil

“Jornal do Brasil” – 05/04/2010


MAURO SANTAYANA


Tancredo Neves faria 100 anos hoje. Ao relembrar aqueles meses, dias e horas, dois sentimentos me abalam o espírito: a brevidade da vida e a escassez de homens de Estado. Atribui-se ao chanceler Oswaldo Aranha a constatação de que o Brasil "é um deserto de homens e de ideias". Foi uma injustiça do bravo gaúcho - companheiro de Tancredo no segundo governo Vargas – para com muitos de seus contemporâneos, e a ele mesmo, invulgar servidor do Estado.


Mas há situações históricas em que os grandes homens não deixam muitos seguidores. Naqueles anos finais do regime de exceção, a personalidade de Tancredo começou a destacar-se no horizonte. Ele não estava só: a oposição republicana contava com alguns veteranos combatentes, entre eles Franco Montoro, Ulysses Guimarães, Miguel Arraes, Barbosa Lima Sobrinho, Leonel Brizola.


Embora os houvesse, os olhos mais atentos se dirigiam ao mineiro, porque às convicções democráticas e virtudes pessoais se reuniam as circunstâncias. Ele vivera o passado não como testemunha, e sim como militante político. Mesmo durante a noite de chumbo do regime militar, ele, como exigia a situação, manteve-se atuante na resistência, tanto mais efetiva, quanto mais discreta. Dominava, com paciência montanhesa, a angústia diante do regime de opressão, que censurava a imprensa, prendia, torturava e matava. Mas essa paciência, que ele parecia pastorear pelos corredores do Congresso, ocultava esforço incansável para a manutenção da esperança entre seus companheiros do Congresso e personalidades importantes da sociedade.


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O destino e o dever

"Jornal do Brasil” – 25/03/2010


MAURO SANTAYANA


O presidente Marcos Vilaça, em seu discurso de abertura, e o orador oficial, Eduardo Portella, acentuaram, durante a homenagem que lhe prestou a Academia Brasileira de Letras, a funda consciência de responsabilidade que orientou a vida de Tancredo Neves. Aos dois elogios somou-se o retrato de Tancredo, na memória da família, com o agradecimento do governador Aécio Neves. O governador lembrou o leitor Tancredo Neves e, no exame de sua biblioteca, identificou-lhe os interesses culturais e compromissos com o humanismo. Marcos Vilaça lembrou ter folheado, na vasta biblioteca de Tancredo, o exemplar de Casa-Grande & Senzala, o clássico de Gilberto Freire, minuciosamente anotado pelo mineiro. "Fiquei tentado a levá-lo, a fim de oferecê-lo ao mestre", comentou, à margem de seu forte discurso, provocando a reação bem humorada do auditório.


Eduardo Portella situou, com precisão, Tancredo como homem de doutrina própria, imune a seitas e a idolatrias.


Ele via o mundo com seus olhos, e o sentia com a alma. Os autores que lia não o mudavam, serviam para confirmar suas próprias ideias e acrescentar-lhes novos fundamentos. Haurira o essencial de seu espírito em São João del Rei, com sua forte religiosidade e o arraigado sentimento de amor à liberdade. A fé, que expressava na devoção particular a São Francisco de Assis, endossava seu compromisso político com a justiça social.


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TV Assembléia de Minas Gerais homenageia centenário

O canal da Assembléia Legislativa de Minas Gerais produziu e apresentou uma série especial sobre o centenário de Tancredo Neves, dividida em três partes, que foram exibidas nos dias 3, 4 e 5 de março. Os programas contam a história pessoal e política de Tancredo e destacam o papel do Poder Legislativo e da participação popular na redemocratização do país.


Assista à parte 1 da Série Especial Tancredo 100 Anos (8’19’’) http://mediaserver.almg.gov.br/tvvideo/Programas/ALMG201003090001.WMV


Assista à parte 2 (12’07’’) – Tancredo 100 Anos http://mediaserver.almg.gov.br/tvvideo/Programas/ALMG201003090002.WMV


Assista à parte 3 (9’14’’) – Tancredo 100 Anos http://mediaserver.almg.gov.br/tvvideo/Programas/ALMG201003090003.WMV

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