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Clipping

Estadista da Liberdade

Jornal “Estado de Minas” – 27/02/2010


Tancredo Neves, em 75 anos de vida, cumpriu um destino de homem público, democrata e defensor da liberdade. São tarefas duras, exigentes, sobretudo num país que tem em sua história a inscrição da desigualdade, da força e da injustiça. No momento em que o Brasil celebra o centenário de nascimento do político de São João del-Rei, fica cada vez mais clara sua visão límpida de propósitos, sua habilidade em desfazer o ódio e a capacidade de construir o possível, sem abrir mão de princípios.


Numa longa carreira política, nunca serviu às ditaduras - como fizeram tantos paladinos da moralidade que não coraram em participar de regimes de exceção -, não se curvou ao poder da força, não foi pragmático quando o objetivo era transigir com a democracia. Foi vereador, deputado, ministro de Estado, primeiro-ministro, governador e presidente não empossado.


Esteve presente em todos os momentos de crise do país, como se tivesse sido talhado para abrir caminho para o entendimento, embora não escondesse suas convicções pessoais e ideológicas.


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A Fiel Escudeira

Jornal “Estado de Minas” – 27/02/2010


PATRÍCIA ARANHA


Braço direito e esquerdo de Tancredo Neves. Assim ficou conhecida Antônia Gonçalves de Araújo, a dona Antônia, secretária particular do ex-presidente por 15 anos - até a morte dele, em 1985. Com 77 anos, de seu apartamento na Asa Sul, em Brasília, ela revela ter saudade daqueles tempos e conta que foi surpreendida, como o resto do país, com a internação do chefe às vésperas da posse.


"Doutor Tancredo me ligou, dizendo que não ia ao escritório, e recomendou que organizasse todas as nomeações e mandasse para a casa dele, para que fossem assinadas. Até a minha própria nomeação. Assim fiz, não deu nem para ir à missa, acabei trabalhando até tarde. Fiquei surpresa quando soube que estava internado, mas achava que seria coisa simples, pois ele não tinha nenhuma doença grave"
, relata. Até hoje ela guarda, emoldurada em um quadrinho, a nomeação assinada pelo presidente.


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Em Nome da Paz

Jornal “Estado de Minas” – 27/02/2010


PATRÍCIA ARANHA


Conciliação. Essa é a marca de Tancredo Neves na política. A cientista política Maria Celina Soares D'Araujo, professora da PUC Rio, ressalta que o perfil negociador se destaca sobretudo pela época em que o ex-presidente viveu. "Tancredo era um negociador hábil, no sentido nobre da palavra. Sabia lidar com a diferença, administrá-la e chegar às soluções. É uma grande marca dele num tempo em que o Brasil era muito intolerante. Tancredo foi uma das poucas figuras que não pregaram golpe de Estado nos anos 1950 e 1960, quando era muito comum políticos de todo os partidos enxergarem na intervenção militar a saída para os impasses", afirma.


Identificado por ela como liberal democrata, Tancredo teria sido coerente ao manter por toda a vida um posicionamento de centro, o que lhe permitiu selar um aliança tão ampla para vencer a eleição do Colégio Eleitoral, incluindo todos os partidos de oposição, com exceção do PT, e um candidato a vice-presidente, José Sarney, que havia sido cotado para a chapa da situação, encabeçada por Paulo Maluf.


O homem que costumava dizer que era o primeiro nome a ser lembrado nos momentos de tempestade era um defensor do Estado de direito. "Alguns dizem que Tancredo não tinha ideologia, por não ser um homem de esquerda ou de direita. A ideologia dele era a de manter o Congresso funcionando, defender a regra democrática contra os modelos autoritários. São valores importantes que muitos homens públicos abandonam sob o argumento de estarem empunhando um posicionamento político partidário", analisa Maria Celina.


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Alegria Inspiradora

Jornal “Estado de Minas” – 27/02/2010


PATRÍCIA ARANHA


Um Tancredo Neves brincalhão, que gostava de inventar histórias para os filhos, católico devoto que sabia de cor os detalhes da vida de todos os santos e o significado de cada toque dos sinos das igrejas de São João del-Rei. Fragmentos das memórias familiares revelam um homem simples e frequentemente remetem a episódios políticos, já que alguns herdaram dele a vocação para a vida pública. É o caso do governador Aécio Neves (PSDB), que seguiu de perto os passos do avô ao se tornar, aos 22 anos, seu secretário particular. "A alegria dele era inspiradora", recorda-se Aécio, que se diz marcado pelo prazer com que Tancredo exercia a política. A neta mais velha, Andrea Neves, presidente do Servas, chegou a morar com o avô por um período e guarda muitas recordações. "Era uma pessoa iluminada, com uma inteligência diferenciada", diz.


Desde cedo, os mais próximos se acostumaram à agenda cheia de Tancredo, que tentava aproveitar ao máximo os momentos íntimos, muitos deles passados na fazenda da família, em Cláudio, no Centro-Oeste de Minas. "O tempo do homem público é sempre menor que o de alguém que tem uma atividade normal. Isso ocorreu principalmente nos últimos anos da vida dele, que foram de muitas articulações políticas, com a campanha pelas eleições diretas e a votação no Colégio Eleitoral", argumenta Aécio, que confessa encontrar na fazenda a mesma paz de espírito que o avô experimentava.


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Nos Portões do Palácio

Jornal “Estado de Minas” – 27/02/2010


CARLOS HERCULANO LOPES


Passada a emoção em São Paulo, quando mais de 2 milhões de pessoas saíram às ruas para se despedir do presidente Tancredo Neves, cuja agonia no Incor, que comoveu todo o país, durou 26 longos dias, chegou a vez de Belo Horizonte. Em nome de todas as Minas, a cidade prestou suas homenagens ao filho ilustre do estado.


Da capital, o corpo seguiria para São João del-Rei, onde seria enterrado no jazigo da família. Como milhares de outros mineiros, também eu, naquele dia, preparei-me para aquele momento solene e, deixando minha casa na Renascença, rumei para a Avenida João Pinheiro, onde me postei, em frente ao Xodó. Lá ficaria à espera do caminhão do Corpo de Bombeiros que, desde o aeroporto da Pampulha, trazia o corpo ao Palácio da Liberdade, onde seria velado e exposto a visitação, até seguir para a terra natal do presidente.


A expectativa estava latente nos rostos de homens, mulheres e crianças que, como eu, se postavam ali, como participantes anônimos daquele momento histórico. Muitos estavam enrolados em bandeiras de Minas e do Brasil; alguns usavam tarjas pretas, em sinal de luto; e a polícia, como podia, tentava organizar um cordão de isolamento.


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Vocês Sabem o que Eu Tenho?

Jornal “Estado de Minas” – 27/02/2010


INÁCIO MUZZI


O primeiro boletim médico informou que o presidente fora acometido de diverticulite aguda. Anos depois, o patologista Hélcio Mizziara assumiu a autoria da mentira para a imprensa, dizendo-se temeroso dos efeitos desestabilizadores do diagnóstico correto: tumor benigno interno - leiomioma.


A manhã de 15 de março foi de melancolia para duas dezenas de altos funcionários da administração pública mineira. Convocados a Brasília por Tancredo, para ocupar influentes cargos de segundo escalão, eles estavam destinados a ficar conhecidos como a "República do Pão de Queijo", caso o governo se estabelecesse. Porém, naquela manhã, em pé na frente do Hospital de Base de Brasília, sem privilégios, acesso ou informação, cismavam: o que mesmo acontecera na madrugada? Quem eram esses médicos de um hospital público da ditadura que agora zelavam pela saúde do chefe?


A freira Ester chegou a ouvir a mesma dúvida dos lábios do presidente, numa inquirição feita por este a dois médicos brasilienses antes da segunda operação, ocorrida em 20 de março. "Vocês sabem o que eu tenho? Conheço casos de pessoas que faleceram por trama..." Em seguida, falou das mortes dos presidentes Juscelino Kubitschek ("a perícia mais malfeita que vi na minha vida"), João Goulart ("trocaram o remédio dele") e de Carlos Lacerda ("colocaram substâncias na sonda dele"). A segunda cirurgia, comandada pelo médico paulista Henrique Walter Pinotti, depois de um golpe médico sobre a equipe de Brasília, foi seguida pela hemorragia aguda que obrigou a transferência do presidente para o Incor, de São Paulo, em 27 de março.


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Penúltimo Degrau do Destino

Jornal “Estado de Minas” – 27/02/2010


J.D. VITAL


O governo Tancredo Neves terminou como começou: com emoção, multidão na Praça da Liberdade, intensa articulação política e ampla cobertura jornalística. De sua posse, em 15 de março de 1983, a 14 de agosto de 1984, quando renunciou para disputar a sucessão do presidente João Baptista Figueiredo, foram 517 dias de exercício da política como arte mineira de tornar as coisas possíveis.


A primeira dessas "coisas" tornadas possíveis pelo governador Tancredo Neves foi a transição do regime militar para a democracia, sem maiores abalos. Articulador insuperável, fez composição com Hélio Garcia, seu vice e com trânsito na área militar, para a travessia.


A outra "coisa" foi promover a união de Minas. Com o respaldo de uma coalizão mineira, recheada de ex-arenistas e liderada pelo vice-presidente Aureliano Chaves, teve a coragem de viabilizar-se como estrela guia de uma nova República. Apesar dos riscos que um candidato da oposição à Presidência da República corria dentro de um Colégio Eleitoral dominado pelas forças governistas.


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O Centenário de Tancredo Neves

Jornal "O Tempo" - 27/02/2010


MURILO BADARÓ
Presidente da Academia Mineira de Letras


Alguns povos e nações têm mais sorte do que outros, sobretudo quando sua história está impregnada de varões ilustres e instituições determinantes de seu caráter e heroísmo. Maior ventura têm ainda quando, em períodos ensombreados de perda gradativa de valores, podem se voltar para o passado e retirar dele os modelos e paradigmas para prosseguir em sua caminhada.


É o que se passa no Brasil, nesta hora de intensa degradação institucional, de volume crescente de corrupção e falência de seu combate, quando toda a população se volta para as comemorações do centenário de nascimento de Tancredo de Almeida Neves, nascido na velha e libertária São João del Rei no dia 4 de março de 1910, bebendo nas fontes de sua formação os exemplos de amor à liberdade, ao direito e à justiça.


A exaltação da figura histórica de Tancredo é alimento espiritual e cívico para o povo desesperançado, buscando reencontrar nele os rumos perdidos no desvario demagógico e no populismo desenfreado.


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Congresso Comemora Centenário de Tancredo Neves

Agência Senado - 26/02/2010


HELENA DALTRO PONTUAL


Sessão solene do Congresso Nacional marcará, na quarta-feira (03), o centenário de nascimento de Tancredo Neves. Na homenagem, que será realizada no Plenário do Senado, deputados e senadores lembrarão a trajetória política do mineiro de São João Del Rei, em especial sua participação no turbulento período que marcou o fim da ditadura militar e o processo de redemocratização do país.


Tendo José Sarney como vice, Tancredo de Almeida Neves foi eleito presidente da República pelo Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985. Na véspera de tomar posse, em 14 de março daquele ano, Tancredo foi internado em estado grave e o vice-presidente José Sarney assumiu o cargo. Depois de ser submetido a sete cirurgias - duas realizadas em Brasília e outras cinco em São Paulo -, o político mineiro morreu, no dia 21 de abril de 1985, na capital paulista.


A eleição de Tancredo marcou o rompimento de quase 21 anos de regime militar no país, que teve início em 31 de março de 1964. A chapa de Tancredo e Sarney, denominada Aliança Democrática, foi formada após a derrota da emenda Dante de Oliveira no Congresso, em abril de 1984, que previa eleições diretas para presidente da República.


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50 Anos depois de Brasília, BH Inaugura Cidade Administrativa

Último Segundo - 26/02/2010


NARA ALVES, Ig - São Paulo


Até fim de outubro, mais de 16 mil servidores públicos atualmente distribuídos em 53 endereços de Belo Horizonte serão transferidos para a Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves. A nova sede do governo mineiro, que será inaugurada na próxima quinta-feira, é o segundo centro administrativo projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. O primeiro, em Brasília, completa 50 anos no dia 21 de abril.


As semelhanças com Brasília, no entanto, param no traço arquitetônico, segundo a secretária de Planejamento e Gestão de Minas Gerais, Renata Vilhena, que viveu na capital federal entre 1999 e 2003.


"O conceito de Brasília é diferente. Na Esplanada dos Ministérios há vários prédios, as pessoas precisam de carro para se deslocar. Aqui, não. Tudo foi verticalizado. Então, não se utiliza carro para ir de uma secretaria para outra. As pessoas vão de escada ou elevador. Economizamos com frota, combustível, telefone, alugueis e serviços de manutenção, limpeza, vigilância. É uma economia de R$ 92 milhões por ano", explica.


O nome da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves é uma homenagem ao ex-presidente Tancredo (1910-1985), que completaria 100 anos no dia 4 de março. Tancredo iniciou a vida política como vereador, em São João del Rei, sua cidade natal, em 1933. Foi deputado federal, primeiro ministro, senador e governador de Minas Gerais. Sua eleição para presidente da República, em 1985, marcou o fim do regime militar que teve início em 1964.


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Centenário

Jornal “Estado de Minas” - 24/02/2010

MÁRIO FONTANA 


Além da Academia Brasileira de Letras, obviamente a Academia Mineira de Letras promoverá sessão solene para homenagear o centenário de nascimento de Tancredo Neves. O evento foi marcado para 11 de março. No encontro, vários oradores vão relembrar não só a trajetória política de Tancredo como suas incursões literárias e no campo oratório. Tancredo era um dos oradores mais talentosos deste país.


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