Você está aqui: Cartas

Cartas

De Tancredo Neves para Juscelino Kubitschek: 27/07/1964

carta_6.1carta_6.2 carta_6.3 carta_6.4 carta_6.5

Em Brasília, o então deputado Tancredo Neves manifesta a Juscelino Kubitschek sua amizade e solidariedade diante da cassação dos direitos políticos do ex-presidente, ao qual também procura consolar naqueles momentos graves e difíceis da vida política brasileira. Seguem alguns trechos do manuscrito:


“A Nação imersa em ‘vil e apagada tristeza’, na sucessão dos dias mais consciência vai tomando de que com ignóbil cassação do seu mandato e a suspensão dos seus direitos políticos, cassados e suspensos ficam os direitos do povo.


“Em meio a um panorama desolador e aviltante, estamos colecionando muitas decepções dos que desertaram, se acovardaram ou se acomodam, mas também reconfortados pelas atitudes viris de muitos que resistem e lutam, enfrentando a hostil adversidade de rancor sem entranhas.”


“Sinto que se aproxima do fim o eclipse que nos envergonha diante das nações civilizadas e que já está à vista o dia em que iremos restaurar o clima de dignidade democrática, por que anseiam todos os brasileiros com a revisão das brutais iniquidades que maculam nossa história política.”

De Juscelino Kubitschek para Tancredo Neves: 02/05/1966

carta_1 carta_11

Entristecido no exílio em Nova York, JK havia encontrado nas páginas da revista “O Cruzeiro”, no dia anterior à redação da carta, uma entrevista na qual o amigo criticava duramente os descalabros do regime militar. É “uma das páginas mais vigorosas escritas nestes dois anos de infelicidade cívica para o Brasil”, elogia.


Na entrevista concedida ao número de “O Cruzeiro”, datado de 6 maios de1966, Tancredo afirmava, numa passagem: “A revolução criou o caos institucional. Destruiu a República, a Federação, os poderes constitucionais, os partidos políticos, as lideranças nacionais, as organizações estudantis e as sindicais, e nada preparou até agora para suprir os imensos vazios que gerou.”

De Juscelino Kubitschek para Tancredo Neves: 05/08/1966

carta_12

Neste bilhete manuscrito, JK conta que recebeu em Nova York um conterrâneo do amigo. E diz: “mais uma vez, lembrei-me de suas atitudes corajosas – afinal, houve, ao menos, um milagre da revolução: a não cassação dos seus direitos”.

De Juscelino Kubitschek para Tancredo Neves: 29/08/1966

carta_13

JK reiteradamente elogia a disposição do amigo para condenar, em seus posicionamentos oficiais como deputado e nas entrevistas, os descaminhos políticos do país sob a ditadura militar.


Também observa que a Constituição que seria enviada ao Congresso pelo presidente Castelo Branco não deveria ser chancelada pelos representantes do povo: “Se o Congresso, porém, votar um documento retrógrado, reacionário e liberticida, não haverá mais remédio para o desconceito em que vivemos.”

De Juscelino Kubitschek para Tancredo Neves: 15/12/1966

carta_14

Nesta carta, JK expõe ao amigo as razões de ter “estendido a mão” ao seu “mais terrível adversário, de ontem”. Refere-se a Carlos Lacerda, o ex-governador do Rio de Janeiro, com quem se encontrara em Lisboa. À época, havia se formado a Frente Ampla, movimento político lançado em 28 de outubro de 1966 com o objetivo de lutar pela "restauração do regime democrático" e que acabaria reunindo Juscelino, Lacerda e João Goulart na mesma trincheira.

De Juscelino Kubitschek para Tancredo Neves: SEM DATA

carta_16

Breve agradecimento de JK a Tancredo, durante o exílio, em referência a correspondência recebida.

De Juscelino Kubitschek para Tancredo Neves: 26/05/1970

carta15

JK agradece os votos de restabelecimento enviados durante sua permanência em um hospital de Nova York.

De Juscelino Kubitschek para Tancredo Neves: 27/12/1971

carta_5.1carta_5.2

De volta ao Brasil, em 1971, Juscelino agradece, comovido, o livro presenteado por Tancredo. Aproveita para render-lhe homenagem pela tenacidade demonstrada durante a crise política que levaria ao suicídio de Getúlio Vargas, em 1954. Escreve JK:


“A caneta que Getúlio lhe deixou é a herança mais honrosa que poderia conquistar nos degraus de sua luta. Acompanhar um homem na hora difícil, arriscar-se por ele e aceitar tranquilo e consciente os perigos que advêm da atitude assumida, constituem a marca de uma personalidade e singularizam os que assim procedem.”

De Juscelino Kubitschek para Tancredo Neves: 31/07/1975

carta_17

Neste último registro da correspondência entre os dois ex-presidentes, JK acusa e agradece o recebimento de dois discursos.